1ª Edição - Janeiro e Fevereiro de 2008, Vitória da Conquista-BA. 

 

Para que uma ideia se torne frutífera e resulte em continuidade, a primeira execução é referência das mais importantes. Foi o que ocorreu nessa primeira edição, realizada em Vitória da Conquista no período entre os dias 14 de Janeiro a 10 de fevereiro de 2008. Obteve um total de 34 alunos participantes que desenvolveram um processo artístico-pedagógico em uma carga horária total de 64 horas.

O perfil dos participantes era de jovens, entre 18 e 34 anos, integrantes de grupos e companhias da cidade, a saber: Cia Dançart, Cia Marie Marrie de Teatro, Cia Operakatta de Teatro, grupo Avante Época, grupo Caçuá de Teatro, grupo Maniotti, Teatro Espaço Atuar, e artistas independentes.

O primeiro Oficinão culminou no texto dramatúrgico assinado por Francisco André e Roberto de Abreu – que também assinava a encenação – e uma mostra cênica intitulada "Escravos de Jó: Fragmentos de um Discurso", realizada dias 09 e 10 de fevereiro de 2008 no teatro Carlos Jehovah. O título faz uma alusão ao mito do artista que se sacrifica por sua arte. Baseia-se também no personagem bíblico, que foi desafiado a permanecer fiel a suas crenças até as ultimas consequências. A dramaturgia construída é fragmentada, sem estrutura de curva dramática. Traz quadros distribuídos em três atos que procuram responder as seguintes questões: Como nasce um artista? Para que ou para quem a sua arte se destina?

O roteiro emergiu de duas inquietações dos artistas locais. O primeiro deles concerne ao drama da gênese da criação artística, como ela é produzida e veiculada na cidade. Houve também, nas discussões, uma indignação recorrente no que diz respeito à postura dos espectadores em relação às obras locais em contraposição à circulação de espetáculos da capital e do sudeste do país. A segunda origina-se da expectativa de alguns por um “Jó” salvador do artista do interior – como em uma alusão ao Godot da peça de Samuel Becket. Este, durante a peça, era personificado, às vezes na figura de um produtor, às vezes no diretor. Alguém que revelaria o artista para o mundo, consagrando sua arte em dinheiro e fama. Os quadros se sucedem revelando ao público a crise de todo artista ao gestar um processo criativo, às vezes com os intérpretes narrando depoimentos em primeira pessoa, às vezes interpretando personagens fictícios.

A encenação coloca o público na posição ocupada pelo artista. Literalmente. O Carlos Jehovah é um pequeno teatro de arena localizado no centro da cidade, com capacidade para 100 espectadores. A partir do tema escolhido, decidimos por organizar o espaço de representação colocando o espectador no centro da arena e as cenas ocorrendo ao redor. O público também era personagem do espetáculo, o contraponto com o qual os atores dialogavam. Em alguns momentos, os personagens se misturavam à plateia, emergindo dela um espectador fictício que revelava o perfil de público da cidade visto sob a ótica daqueles artistas-criadores. 

A ação revelou diversos talentos conquistenses que até hoje movimentam a cena teatral da cidade. Outros alçaram voos mais ousados, e hoje seguem como estudantes dos cursos de Artes Cênicas de algumas Universidades, a exemplo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Univesidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) -Campus Jequié.

 

Foto: Daisy Andrade

Foto: Daisy Andrade

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