2ª Edição - Outubro de 2012, Salvador-BA. 

 

A segunda edição do Oficinão integrou o projeto “Afinações – Manutenção do Grupo Finos Trapos”, contemplado no edital Demanda Espontânea 2011, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). Foi realizada no período entre 02 de Abril e 01 de Maio de 2012. As aulas ocorreram no espaço cultural Ensaio e a mostra cênica ocorreu na Sala do Coro do Teatro Castro Alves.

Intérpretes, dançarinos e diretores compunham o perfil dos selecionados, o que contribuiu para que investíssemos em propostas que colocavam em foco a expressividade corporal dos participantes. A maioria dos artistas selecionados tinham suas experiências anteriores vinculadas ao curso livre e/ou a curso superior em artes cênicas da Universidade Federal da Bahia ou haviam realizado trabalhos com encenadores e profissionais expoentes da cena teatral da cidade.

Em uma das improvisações surgiu a frase que dá nome a mostra e ilustra bastante a dimensão simbolista da estética proposta: “A Primeira Vez que Vi o Mundo Foi Pra Mim que Olhei”. A imagem do mundo como espelho que reflete e ao mesmo tempo forma a identidade do indivíduo foi uma metáfora fortemente trabalhada durante a encenação, conduzida por Frank Magalhães. Para encenar um tema tão complexo, a escolha do encenador Frank Magalhães foi a estética do simbolismo.  Em um primeiro momento, os personagens desfilavam no foyer ostentando as relações de aparência, típicas de eventos sociais, numa espécie de prólogo inicial com um estilo de interpretação naturalista. Contraponto a esse primeiro quadro, quando o público adentra a sala de espetáculos, os personagens se desnudam, revelando a sua intimidade, não conseguindo sustentar as suas máscaras. Um jogo permeado de lirismo, poesia e muitas imagens. A iluminação cênica sublinha as sensações dos personagens, proporcionando ao público um espetáculo de cores tão berrantes quanto cada sentimento primitivo das personagens.

Na dramaturgia não há enredo, e sim blocos de sensações que mostram diferentes personagens sobre três perspectivas. A primeira delas, denominada “Mosaico dos ‘Eus’”, diz respeito ao caráter subjetivo e idiossincrático das identidades; revelava como as personagens se enxergam e como interpretam o mundo a sua volta. A segunda dimensão, intitulada “Sangra Meus Olhos: O desejo do outro”, versa sobre as relações interpessoais e toda a carga de conflitos e sensações delas oriundas (desejo, repulsa, afeto, amor, ódio, sexualidade, etc.). Já a última, de nome “O Espelho do Todo”, celebra a diversidade das idiossincrasias que marcam o mosaico de subjetividades que se relacionam, se modificando e alterando o mundo ao redor.

Um dado interessante é que essa edição do Oficinão Finos Trapos obteve um surpreendente número de 54 candidatos em apenas doze dias de inscrições, o que fez com que repensássemos o número de vagas, ampliando de 20 para 30 (trinta) a quantidade de contemplados.

 

Foto: Eduardo Oliva

 

Foto: Polis Nunes

 

 

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