3ª Edição - Abril de 2013, Juazeiro-BA. 

 

Em 2013 realizamos três edições do Oficinão, com o apoio Financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia – Edital Setorial de Teatro 2012. O nosso intuito era o de promover o intercâmbio de informações e o desenvolvimento das artes cênicas não apenas nas cidades que receberiam o projeto como também nas cidades circunvizinhas que integram os Territórios de Identidade em que estão inseridas.

Isso já era algo suscitado nas edições anteriores, pois recebemos – especialmente em Vitória da Conquista – participantes de outras cidades, além do aspecto multiplicador do Oficinão que gera impactos significativos na cultura local na medida em que os intérpretes (atores, dançarinos, circenses, performers e congêneres) e encenadores (diretores, coreógrafos, dramaturgos e técnicos das artes do espetáculo) participantes eram antes de tudo agentes culturais.

 A primeira cidade em que aportamos foi Juazeiro, cidade do extremo oeste do Estado que integra o território de identidade Sertão do São Francisco, entre os dias 18 e 27 de Abril de 2013, totalizando 40h aulas realizadas no Centro de Cultura João Gilberto.

Logo de cara, nos deparamos com um verdadeiro oásis no meio do sertão baiano. A cidade fica às margens do Rio São Francisco, o gigante que corta diversos estados brasileiros.  É uma cidade que se situa na divisa entre Pernambuco e Bahia. Além disso, é avizinhada por Petrolina-PE, situada à outra margem do Velho Chico. O intercâmbio entre as duas cidades foi algo que marcadamente permeou o imaginário do Grupo durante aquele Oficinão. Algo, inclusive, abordado na Mostra de encerramento.

Em Juazeiro, navegamos sobre o imaginário cultural do Rio São Francisco, as percepções sobre a cidade, seus habitantes, com os espaços e as políticas públicas de manutenção e preservação do patrimônio histórico. Na mostra cênica realizada esses múltiplos olhares se bifurcam em duas correntes principais.

De um lado, a Juazeiro dos ribeirinhos, com o Rio são Francisco fomentando não apenas a economia da cidade como também a sua cultura, verificada nas estórias dos pescadores, e os personagens lendário como o Nego D’água, a Sereia Uiara, e a simbologia das Carrancas.  Do outro, a cidade urbanizada, caótica, tão próxima e tão diferente de sua cidade vizinha Petrolina; um retrato pintado, inclusive, pelas balsas enferrujadas e abandonadas às margens do Rio. Esses contrastes são revelados também no título escolhido para mostra: “Águas de Ferro”, exibida dia 27 de Abril no Centro de Cultura João Gilberto.

Obtivemos um total de 29 participantes, majoritariamente oriundos das duas cidades, o que tornou o projeto também interestadual. Outras cidades tiveram seus representantes, ainda que em menor número. São elas: Sobradinho-BA, Capim Grosso-BA e Lagoa Grande-PE. O perfil da turma que se formou em Juazeiro era bastante heterogêneo. Tínhamos participantes de linguagens (teatro, dança, produção cultural, arte educadores, e professores de literatura com experiência amadora em teatro), faixa etária (18 a 54 anos).

Foto: Aldren Lincoln

Foto: Joedson Silva

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