4ª Edição - Maio de 2013, Jequié-BA. 

  

A quarta edição do Oficinão ocorreu em Jequié, situada no Território de Indentidade Piemonte do Itapirucu, região sudoeste do Estado. Foram 40h de atividades distribuídas  entre os dias e 09 a 18 de Maio de 2013, com aulas no Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães e mostra cênica Realizada no Espaço Cultural Wally Salomão. Jequié divide com Vitória da Conquista o título de expoente microrregional, o que nos possibilitava conhecer os traços culturais daquela cidade.

Uma vez que se tornara um polo universitário na área, uma vez que hospeda desde 2012 o primeiro curso superior de licenciatura com habilitação em Teatro e Dança do interior do Estado, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), já prevíamos o perfil predominante do público que se inscreveria no Oficinão, o que acabou se confirmando. Dos 34 inscritos, a grande maioria tinha algum vínculo com os cursos de artes da UESB.

Foram selecionados 30 participantes de perfil bem diferente das outras edições. A maioria era de dançarinos com pouca experiência com a linguagem teatral, o que notadamente dava ao grupo grande expressividade corporal e uma dificuldade com caracterização vocal e canto. Apenas 12 dos participantes não tinham vinculo com a Universidade, sendo predominantemente de teatro com passagem pelos grupos amadores locais.  A faixa etária era de jovens entre 18 e 32 anos. Tivemos participantes oriundos de cidades circunvizinhas (Poções e Vitória da Conquista) e de cidades distantes situadas em outras regiões do Estado (Ibiritaia, Porto Seguro, Serra Grande e Uruçuca).

Decidimos então que a mostra cênica lançaria um olhar sobre Jequié pela perspectiva do estrangeiro. Como esse estranho chega e é recebido? Como se relaciona com os habitantes da cidade? Como percebe a cidade e como é percebido por ela? Procurando responder a esses questionamentos levamos a cabo uma pesquisa de encenação em espaço não convencional, a fim de transformar o espectador em estrangeiro tornando-o personagem central de uma história permeada pelo teatro físico e o olhar dos artistas sobre urbanidade e a intolerância nas relações interpessoais. De tudo isso resultou a mostra “Preto no Branco”, exibida dia 18 de maio no Espaço Cultural Waly Salomão.

Na narrativa construída, o público é levado por brincantes que celebram o São João – festa mais conhecida da cidade – até o portal de entrada do espaço de representação, onde são recebidos por uma Onça transmutada em Esfinge.  A referência à onça é encontrada tanto no imaginário local quanto no próprio nome da cidade (Jequié significa onça ou cachorro, animais típicos daquela região na ocasião de sua fundação).  Essa personagem enigmática, numa alusão à celebre frase do mito de Édipo – “Decifra-me ou te devoro!” – dá boas-vindas aos estrangeiros que acabam de chegar, alertando para os perigos do novo mundo que irão desbravar. Ao adentrar o espaço, os espectadores são inundados por abraços, sons e cheiros que o proporcionam uma experiência sensorial que marca a descoberta de um novo lugar. Já acomodados, os mesmos encontram personagens locais e imagens metafóricas que retratam o cotidiano e os contrastes da cidade: os operários das fábricas, os feirantes, a religiosidade protestante, as estórias sobre o rio gavião, dentre outras. A expressão “preto no branco”, popular em algumas regiões sertanejas, ilustra tanto o ato de deixar tudo às claras – o que segundo a pesquisa realizada é um traço característico do povo de Jequié – quanto os contrastes, as diferenças socioeconômicas e culturais que marcam o cotidiano daquela gente.

Foto: Polis Nunes

Foto: Polis Nunes

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