5ª Edição - Maio de 2013, Ilhéus-BA. 

 

Ainda em 2013, a quinta edição do Oficinão Finos Trapos foi realizada em uma carga horária total de 40h na cidade Ilhéus, contemplando o Território de identidade do Baixo Sul. Nesta etapa tivemos um total de 24 participantes oriundos das cidades de Ilhéus e Itabuna e Salvador. A faixa etária oscilava entre 18 e 65 anos, sendo a maioria com idade superior a 24. Quase a totalidade dos selecionados já desenvolvia trabalhos nos grupos da cidade como intérpretes, encenadores e arte-educadores, o que facilitou o entendimento e assimilação da abordagem do curso. Alguns desses eram participantes da Cia Boi da Cara Preta, do Grupo Teatral Maktub e do Improviso Nordestino, coletivos que integram a cooperativa de grupos residentes na Tenda do Teatro Popular de Ilhéus, espaço onde o curso foi realizado.

A região sul do Estado, em especial a cidade de Ilhéus, é tema de produções de diferenciadas linguagens artísticas. O mais destacado deles indubitavelmente é Jorge Amado, que eternizou em versos e prosa os costumes, a paisagem e a economia daquela região. Sua obra nutre até os dias atuais o imaginário nacional sobre o jeito de ser do baiano. Mas até que ponto a ficção de Jorge Amado se aproxima da realidade cotidiana de Ilhéus e Itabuna contemporânea? Procurando responder essas perguntas - suscitadas por Yoshi Aguiar, responsável pela encenação da mostra em Ilhéus – através de pesquisas, debates e improvisações, os artistas participantes do Oficinão decidiram por abordar dois aspectos principais que deram o tom da poética de encenação da mostra cênica. 

Assim, o confronto do imaginário jorgeamadeano com a Ilhéus cotidiana, com suas mulheres, o consumismo e a sombra do coronelismo resultou na mostra cênica de título “Eu Nasci Assim, Eu Cresci assim... Mais Agora Mudei”, apresentada dia 09 de Junho na Tenda do Teatro Popular de Ilhéus. O título já denota um posicionamento crítico sobre a discussão, apesar de o principal intento do discurso proposto ser o de fazer com que o espectador se visse retratado nas situações postas em cena.

A mostra então foi organizada em quadros e situações aparentemente desconexas, mas que no decorrer do espetáculo vão ganhando sentido e unidade de discurso. A dramaturgia do espetáculo não se utiliza de uma fábula e sim de situações que reportam ao cotidiano e as relações interpessoais entre os cidadãos da região. Os personagens surgem das arquibancadas da arena do circo, com um visual que sublinha o contraste entre intimidade e ostentação. Os quadros se sucedem revelando as inúmeras facetas desses personagens que em determinados momentos se mostram afáveis e companheiros e em outros regurgitam entre si e nos espectadores seus preconceitos mais íntimos.

Os personagens femininos transitam nos quadros, ora sensuais, ora humilhadas pelo escárnio dos homens. Já os homens, remontam com seu comportamento o imaginário masculino evocado na obra de Jorge Amado. Ao final, todo esse arsenal de imagens aparentemente fragmentadas vai convergindo para que o espectador se reconheça através dos lugares e símbolos que identificam a cidade de Ilhéus. Isso é sublinhado através da afirmativa ecoada pela música tema da mostra “Eu sou Você” de Alceu Valença.

 

Foto: Aldren Lincoln

Foto: Aldren Lincoln

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