Foto: Arquivo Finos Trapos

Essa frente de trabalho tem como objetivo a circulação, experimentação, e difusão de textos dramáticos nordestinos.  Desde 2008 o Finos Trapos, em parceria com atores convidados, vem realizando ciclos de leituras dramatizadas de textos inéditos e canônicos de autores nordestinos em sessões abertas ao público, oferecidas gratuitamente.

Cada leitura fica à cargo da direção de um membro Finos ou de um diretor convidado que tem o encargo de criar uma proposição cênica que escape ao modo tradicional de se realizar a leitura de um texto teatral. 

O elenco das leituras sempre é composto pelos atores do Grupo Finos Trapos e por atores convidados da cena teatral baiana.

Após a leitura dos textos, há ainda, um debate que tem sempre como eixos de abordagem os temas: dramaturgo, obra, identidade nordestina e dramaturgia na Bahia.

“Sotaque Nordestino” mostra-se como via alternativa de difusão e escoamento da produção da dramaturgia nordestina, tão pouco conhecida, analisada e experimentada, de modo geral, na cena baiana.

Os textos escolhidos sempre são  de dramaturgos nordestinos, sejam os já reconhecidos, sejam os novos autores. Também é um espaço de experimentação do Grupo Finos Trapos, onde apresentamos aos espectadores nossas dramaturgias em processo e textos ainda inéditos, sendo este importante via de análise da recepção estética dos nossos trabalhos elaborados a partir do processo colaborativo de criação e da dramaturgia da sala de ensaio.

 


 

  

"Cordel do Amor Sem Fim", de Cláudia Barral 

 

A ação Sotaque Nordestino surgiu no seio do projeto de residência denominado "Finos Trapos Abrigo e Morada", realizado entre Agosto de 2008 e Junho de 2010 no Espaço Xisto Bahia.

Na sua primeira edição foi realizada a leitura encenada de "O Cordel do Amor Sem Fim" (2004), o texto mais conhecidos da autora baiana Claudia Barral. A autora atua em diversos campos da produção literária, como dramaturga, roteirista, contista e poetisa. Na sua produção em dramaturgia destacam-se "O Cego e o Louco" (Prêmio Copene 2000, com versão roteirizada para a TV Cultura em 2007), "Cordel do Amor sem Fim" (Prêmio Funarte 2004; Indicação ao Prêmio de Melhor Texto no Festival Internacional de Angra dos Reis, 2013) e “Hotel Jasmim” (Prêmio Heleny Guariba de Dramaturgia Feminina, 2013), peça de teatro que inspirou o curta de mesmo nome.

A leitura do “Cordel do Amor Sem Fim” de Cláudia Barral, foi dirigida por Roberto de Abreu, membro do grupo teve no elenco: Frank Magalhães e Daniele Rosa (membros do grupo) e os atores convidados: Milena Flick, Joedson Silva e Alice Cunha.

Antes da leitura o público foi recebido com projeções sobre o projeto e fotos das ações já realizadas, como também, dos ensaios da leitura que iriam assistir. Passada a leitura ocorreu um bate-papo sobre as impressões do texto entre o diretor e atores com a platéia. Continuamos com o bate-papo no foyer do teatro com um Chá.

A leitura encenada ocorreu no dia 11 de setembro de 2008, às 10h na Sala principal do Espaço Xisto Bahia.

 

Foto: Arquivo Finos Trapos

 

 


 

 

"Braseiro", de Marcos Barbosa 

 

 

Também integrando o projeto "Finos Trapos Abrigo e Morada", a segunda edição do Sotaque nordestino  ocorreu na Sala principal do Teatro Xisto Bahia no dia 08 de Setembro de 2008.

O Texto encenado na ocasião foi "Braseiro", de Marcos Barbosa, um dos principais autores nordestinos da nova geração. Nascido em Fortaleza, Ceará (1977), Marcos Barbosa é, desde 2005, Professor de Dramaturgia e Teoria do Teatro da Escola de Teatro da UFBA, onde desenvolve pesquisas na área da criação dramatúrgica.  Entre as peças desenvolvidas por Barbosa durante sua formação no Colégio de Dramaturgia estão “Os Sinos” (Prêmio Oficina do Autor, 1997) e “Braseiro” (Prêmio Lourdes Ramalho, 2000). Como dramaturgo recebeu o Prêmio Carlos Carvalho (Porto Alegre, 2005), por “Avental Todo Sujo de Ovo”; o Prêmio Braskem de Teatro (Salvador, 2004), por “Auto de Angicos” e o Prêmio Paulo Pontes (João Pessoa, 2001), por “Minha Irmã”.

A leitura do texto “Braseiro” de Marcos Barbosa, foi dirigia por Daniel Guerra, diretor convidado, e no elenco: Frank Magalhães, Francisco André e Daisy Andrade (membros do grupo) e os atores convidados: Caio Rodrigo e Cecília Moura.

Antes da leitura o público foi recebido com projeções sobre o projeto e fotos das ações já realizadas, como também, dos ensaios da leitura que iriam assistir. Passada a leitura ocorreu uma breve apresentação sobre a carreira do autor do texto Marcos Barbosa. Após a leitura, no foyer do teatro, cumprindo o ritual do projeto, um chá aguardava a plateia.

 

 Foto: Arquivo Finos Trapos

 


 

 

 "O Cordel do Pavão Misterioso", de José Camelo de Melo Resende, e "A Cerca", de Francisco André 

 

 

Sala principal do Teatro Xisto Bahia, realização da terceira leitura dramática da primeira etapa do Sotaque Nordestino, tendo como foco principal a dramaturgia derivada da literatura de cordel. A leitura do texto “A Cerca", de Francisco André e do "O Cordel do Pavão Misterioso”, do cordel de José Resende, adaptado para teatro pelo dramaturgo e encenador conquistense Marcelo Benigno ofereceram ao público presente um genuíno recorte dos folguedos populares e da cultura de tradição nordestina.

O texto de Francisco André, jovem dramaturgo, foi construído durante o processo de montagem do terceiro espetáculo do Grupo Caçuá de Teatro, estreado em 2003. Desde 2005 Francisco é um dos principais dramaturgos do Grupo Finos Trapos, do qual faz parte ainda hoje. Já o paraibano José Camelo de Melo Resende é um dos principais nomes da literatura de cordel brasileira, com uma vasta produção de folhetos desde 1920, sendo "O Cordel do Pavão Misterioso" sua obra mais conhecida.

 

A leitura  foi dirigida por Marcelo Benigno, diretor convidado. No elenco: Francisco André, Yoshi Aguiar e Daisy Andrade (membros do Grupo) e os atores convidados: Poliana Bicalho e Danilo Novaes.

Como de práxis no Projeto Finos Trapos Abrigo e Morada, antes da leitura o público foi recebido com projeções sobre o projeto e fotos das ações já realizadas, como também, dos ensaios da leitura que iriam assistir. Passada a leitura ocorreu uma breve apresentação sobre os autores dos textos e um bate-papo sobre as impressões dos textos trazidas por Marcelo Benigno. Continuamos com o bate-papo no foyer do teatro com um chá.

 Foto: Arquivo Finos Trapos

 

 


 

 

"Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto

 

Em 2012 o Sotaque Nordestino ganha novas edições, integrando um novo projeto: O Afinações. Desenvolvido entre Dezembro de 2011 e fevereiro de 2013, o Afinações era um projeto de manutenção resultado da compilação de algumas das principais atividades que ganharam notoriedade durante toda a trajetória do grupo Finos Trapos. Nesse novo projeto a ação Sotaque Nordestino continuava teve o mesmo objetivo das primeiras edições, mas contou com uma infraestrutura mais elaborada, resultante tanto da experimentação anterior quanto do aporte financeiro disponível. O projeto Afinações foi contemplado contemplado no Edital Demanda Espontânea 2011 do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, prevendo, inclusive, o aporte financeiro para as atividades realizadas, algo que não fora possível durante a residência no Espaço Xisto, resultado também de uma seleção pública.

Dando continuidade à ação, a quarta edição do Sotaque Nordestino teve como objeto a leitura do texto dramatúrgico "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Um clássico da literatura regionalista e dramaturgia nacional, lançado em 1955, que retrata em versos as agruras da vida sertaneja e nordestina. 

A leitura teve direção do ator e encenador Osvanilton Conceição e teve no elenco: Daisy Andrade, Fernanda Avelar, Francisco André, Franclin Rocha, Frank Magalhães, Polis Nunes e Ricardo Andrade. A direção musical ficou foi de Tomaz Mota.

"Morte e Vida Severina Foi encenado dia 16 de maio de 2012, às 20h, no Teatro Xisto Bahia. Diferentemente das primeiras edições, durante o projeto Afinações não houveram debates após as leituras dramáticas.

 

  

 Foto: Arquivo Finos Trapos.

 


 

 

"História de Uma Lágrima Furtiva de Cordel",  de Cristiane Barreto.

 

Com chuva ou sem chuva, Macabéa só sabe mesmo é chover.  A estória da menina triste, doce e achatada de nariz, eternizada pela literatura pungente de Clarice Lispector (1920-1977) em sua obra A Hora da Estrela foi tema da segunda edição do Sotaque Nordestino integrando o Projeto Afinações.

A leitura dramática do texto  "História de Uma Lágrima Furtiva de Cordel",  de autoria da dramaturga, encenadora, professora de teatro e pesquisadora Cristiane Barreto, e foi livremente adaptado da belíssima obra de Clarice Lispector.

O texto é o resultado do processo de criação do espetáculo de mesmo nome estreado em 2010, no Teatro XVIII em Salvador,  através do Prêmio Myriam Muniz de Teatro. Com excelente repercussão em sua estreia e nas temporadas que se sucederam. 

Como a história contada por Clarice, o espetáculo retrata a trajetória de Macabéa, uma moça sonhadora e ingênua, órfã de pai e mãe que nasce e é criada no sertão nordestino por uma tia, indo posteriormente morar no Rio de Janeiro. Nesta cidade, anda  às voltas com valores e culturas diferentes.O texto encenado conta a história dessa moça do ponto de vista do próprio escritor que não consegue entender o caminho que sua obra tomou, assim como não consegue mudar o seu destino. Os personagens entram na vida de Macabéa, passam por ela, mudam-na de direção, podem até atropelá-la, mas não conseguem alterar o seu ritmo e a sua essência.

Para estabelecer a dinâmica da vida que passa pela protagonista, além da narração do próprio escritor que desenvolve a história ao passo em que os fatos acontecem, a diretora acrescenta à narrativa um coro tragicômico que se relaciona com Macabéa, às vezes ironizando, criticando, ou mesmo reprimindo suas ações ou seus sentimentos, como uma espécie de inconsciente coletivo.

Cristiane também foi a finacolaboradora responsável pela encenação da leitura que contou com os atores do Grupo Finos Trapos Daisy Andrade, Frank Magalhães, Francisco André e Poliana Nunes.

A leitura contou também com a participação da atriz convidada Hellen Duraes, natural de Minas Gerais, recém chegada à capital baiana e que participara do processo da segunda edição do Oficinão Finos Trapos, realizada naquele mesmo ano.

História de uma Lágrima Furtiva de Cordel foi realizada dia 23 de Maio, às 20h, no Espaço Xisto Bahia. 

 

Foto: Arquivo Finos Trapos

 


 

 

"Meu Tio O Iauretê",  de  João Guimarães Rosa.

 

A escrita marcante, original, cheia de neologismos e uma prosódia peculiar de Guimarães Rosa (1908-1967) é grande fonte de inspiração para a linguagem poética desenvolvida pelo Grupo Finos Trapos. Não à toa, muitas de suas obras serviram e ainda servem de material de análise compondo o processo criativo de espetáculos como Sagrada Partida (2007),  Gennésius... (2009), O Vento da Cruviana (2014) e  Ponta D'areia-Pedaço do Céu ( novo trabalho, ainda em processo de construção) do Grupo Finos Trapos.

Por essas e por inúmeras outras razões a aceitação da proposta da dançarina, coreógrafa e diretora teatral Carmen Paternostro, convidada para encenar a terceira edição do Sotaque Nordestino dentro do projeto Afinações,  de realizarmos  uma leitura dramática do  texto Meu Tio o Iauretê foi quase que automática.  

O texto, que é uma adaptação da própria Carmen Parternostro do conto original de Guimarães, é uma de suas obras mais emblemáticas e ricas em potencia teatral. Com neologismos que exploram a fonética das línguas indígenas, a prosódia do nordeste brasileiro  e onomatopeias marcantes na cultura popular a obra "Meu Tio o Iauaretê" (jaguaretê, jaguar, do tupi yaware'te - onça verdadeira) é um monólogo-diálogo de um bugre contratado para "desonçar o mundo". Exímio caçador, ele começa a liquidar pinimas (a pintada, ou cangussu), pixunas (a preta) e suaçuranas (a parda, também chamada de sussuarana, onça-vermelha, puma ou leão-baio) mas, aos poucos, vai se identificando com elas, até se arrepender e passar a protegê-las. Parou de matar. 

Na versão encenada por Carmen Paternostro para a leitura do Grupo Finos Trapos cinco atores se dividem no papel do bugre, transformando a sua metamorfose em um evento do inconsciente coletivo. A leitura foi realizada no dia 21 de novembro de 2012, às 20h, no Teatro Moliére (Aliança Francesa) e contou com a participação dos  intérpretes Daisy Andrade, Frank Magalhães e Francisco André (membros do Finos), Bira Freitas, Ricardo Andrade e Sonia Leite (atores convidados).

 

 

Trecho da Leitura Dramática Meu Tio O Iauretê

Imagem e edição: André Laws

 

 


 

"Os Vaqueiros Azuis",  de  Carlos Petrovich.

 

A cultura popular nordestina o grande dispositivo criativo utilizado pelo Grupo Finos Trapos, seja em seus processos artísticos, pedagógicos e de pesquisa. Nesse sentido, o encontro com a obra de Carlos Petrovich (1936-2005), através da mediação mais que especializada da Professora,  então diretora da Escola de teatro da UFBA e pesquisadora de teatro popular Eliene Benício.

Integrante da Companhia de Teatro dos Novos, fundadora do Teatro Vila Velha, estudante da primeira turma da Escola de Teatro da UFBA, e figura ativa no teatro e cinema baiano de sua época, Carlos Petrovich - potiguar de nascimento e baiano de coração - a participou ativamente da vida cultural baiana e brasileira, deixando a sua marca nos trabalhos dramatúrgicos, encenações e nas suas pungentes atuações no teatro e cinema. Revelou toda uma geração de artistas da cena deixando uma legião de seguidores e admiradores do seu trabalho.

Ainda que profícuos, poucas são as montagens das obras escritas por Carlos Petrovich. Por isso, pensando em homenageá-lo, Eliene Benício, ao ser convidada para dirigir a quarta edição do Sotaque Nordestino dentro do projeto Afinações, nos apresentou a ideia de encenar o texto ainda inédito do autor de título  "Os Vaqueiros Azuis". O texto, elaborado em poesia nordestina, própria da literatura de cordel, alinhavado por cantigas originais, sendo farto material para uma montagem de espetáculo musical nordestino - Um tanto Finos Trapos -  narra, com linguajar desafiador a astuta história de Zé mateus e João Birico em seus devaneios cheios de realidade.  Os dois vaqueiros famintos saem sertão adentro para livrar o povo da sangria desatada de bois encantados, dragões e livrusias.

A leitura dramática de Os Vaqueiros Azuis ocorreu nos dias 27 de novembro de 2012 e dia 29 de janeiro de 2013, encerrando o projeto Afinações. Além da direção de Eliene Benício, a leitura contou com a participação dos atores convidados Bira Freitas, Ricardo Andrade e dos então finotrapianos Danielle Rosa, Daisy Andrade, Francisco André e Yoshi Aguiar.  

 

Foto: Leonardo Pastor

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