Repertório em Cartaz

Foto: Tomaz Mota

 

Se nas dimensões continentais do nosso país é possível encontrar problemáticas e características semelhantes relacionadas à criação em grupo, na Bahia e com o Grupo de teatro Finos Trapos isso não poderia ser diferente.  Sua trajetória ainda em construção, vez que o Finos Trapos é um grupo que permanece em atividade até o presente momento, é marcada pela resistência a uma série de dificuldades e conquistas importantes em diversos setores do fazer teatral.

Esse cenário de constante instabilidade aliado ao fluxo natural das demandas pessoais dos membros do Grupo Finos Trapos resultaram em importantes decisões com vistas à luta pela sobrevivência do coletivo com um mínimo de estabilidade. Trazer os nossos espetáculos de repertório para os baús da memória foi uma decisão difícil, delicada e que nos trouxe a maturidade necessária para continuar sobrevivendo enquanto coletivo.

Além disso, essa decisão está relacionada com a dinâmica pessoal dos membros da formação original do Grupo que tiveram que se afastar da cidade do Salvador por inúmeros motivos ligados a demandas profissionais e escolhas de vida. Isso naturalmente trouxeram custos adicionais para a manutenção de todo o repertório, o que nos forçou a chegar a conclusão de romper com esse passado, inclusive poeticamente, para investir em novos trabalhos que refletissem as inquietações artísticas dos membros que permaneceram, a realidade da produção cultural em nosso país a partir dos reflexos da crise financeira iniciada em 2008, e a necessidade ainda iminente de uma sede administrativa que abrigasse nossas quinquilharias cenográficas, nossas experimentações práticas e os voos poéticos que traçaríamos.

Muitas dessas questões ainda permanecem irresolutas, mas o fato é que esse rompimento com o repertório nos possibilitou alçar novos voos para uma atualização de nossas estratégias de encenação, novos referenciais estéticos, o exercício da encenação sob a coordenação de outros membros e um maior diálogo com a dramaturgia e produção literária decolonial latino-americana. 

Os desafios ainda são muitos, mas a força de vontade e a paixão pelo nosso fazer continua e está retratado nesses trabalhos mais recentes que ainda permanecem na estrada.

  

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