Foto: Jamille Nogueira

Sagrada Folia (2005)

 

"Sagrada Folia", estreou em outubro de 2005, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima (Vitória da Conquista), com financiamento do Edital de Apoio a Montagens de Pequeno Porte (FUNCEB). Narra a saga de uma comunidade sertaneja que depois de andar 40 anos pelos sertões em busca de uma terra prometida interrompe a caminhada e repensa a necessidade de seguir caminho. Liderados por Dona Nanã, perseguem o sonho de encontrar uma Nova Canaã, uma nova Canudos, onde não sofram das misérias catingueiras. Ao parar para decidir se seguem a procura ou não, acabam motivados por Mariazinha, e pelas aparições de Nossa Senhora das Vitórias, a celebrar a vida num ritual, discutindo valores do homem, da fé e do destino.

A dramaturgia do espetáculo, escrita por Francisco André, Roberto de Abreu e Yoshi Aguiar, reporta ao ritual católico e ao teatro medieval. A força do imaginário cristão, seus santos, seu maniqueísmo, suas desventuras fatalistas e modos de ver a vida – que são tão próprios da tradição ibérica sustentada pelo povo nordestino interiorano – são traduzidas numa plasticidade hiperbólica, prenhe em coloridos e rococós. O ritual é um pretexto, uma estrutura que foi esvaziada e preenchida com manifestos da tradição popular.

As imagens, memórias e tradições da região sudoeste, de Vitória da Conquista, região da Chapada Diamantina e adjacências foram matrizes e potências para a composição do espetáculo. O grande êxito de “Sagrada Folia” é justamente propor outro referencial de cultura baiana, mais predominante na região do semiárido, distante dos estereótipos que permeiam a noção de baianidade. Uma versão que não se contrapõe aos referencias litorâneos, mais que, ao contrário, alarga os horizontes canônicos correntes.

Com esse trabalho, o Grupo expande a sua zona de atuação do eixo Vitória da Conquista – Salvador para diversas outras cidades do interior, alcançando, inclusive, outros estados como São Paulo, Ceará e Minas Gerais. A realização de temporadas e participação em Festivais como o Festival de Teatro de Guaramiranga-CE, o Festival de Teatro de Pindamonhangaba-SP (FESTE) e o Festival de Cenas Curtas Galpão Cine Horto, proporcionaram importantes reflexões entre os membros do Finos Trapos, sobre as potencialidades e fragilidades do espetáculo bem como o amadurecimento da estética que se propunham a pesquisar dali em diante.

 

Foto: Jamille Nogueira

 

Sagrada Folia em Belo Horizonte -  Foto: Polis Nunes

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