Foto: Jade Prado

Sagrada Partida (2007)

 

O argumento de Sagrada Folia, de tão barroco e rico em possibilidades dramatúrgicas acabou dando origem a um Projeto intitulado “Trilogia Sertaneja”, composta por Sagrada Partida, Sagrada Folia e Sagrada Chegança – este último não concretizado, sendo substituído pelo Auto da Gamela. A decisão pela trilogia partiu da vontade do Grupo em explorar o universo ficcional suscitado em “Sagrada Folia”, impossibilitado pela estrutura dramatúrgica escolhida desse espetáculo, que se orientava pelo jogral, o musical e o ritual católico canônico.  Era também uma possibilidade de aproveitar o farto material teatralmente potente gerado durante o processo de pesquisa que não foi levado à cena na montagem de ‘Folia’.

Durante o processo de criação de “Sagrada Partida” a decisão pela abordagem da estória sob a perspectiva de um núcleo familiar potencializou uma curva dramática e o aprofundamento interpretativo dos atores – o que rendeu, inclusive a indicação ao Prêmio de Melhor Atriz para Polis Nunes no Prêmio Braskem de Teatro 2007. O processo criativo da obra, além de se basear no universo ficcional da Trilogia Sertaneja, balizou-se por três obras da literatura regionalista nacional (O Quinze, de Rachel de Queiroz; Vidas Secas, de Graciliano Ramos; e Meninos de Engenho de José Lins do Rêgo). 

Sagrada Partida estreou em 2007 na Caixa Cultural Salvador, com financiamento do Edital de Ocupação promovido pela Caixa Econômica Federal. Trata-se de uma fábula rural sobre a liberdade. Homem, Mulher e Menino, sem rosto e sem nome, vêm, pelo batente da janela, todo seu povoado ser abandonado. Instaura-se a contenda entre ficar e partir, onde o patriarcado dá o tom conflituoso da trama. A encenação é marcada pelo hibridismo entre a estética naturalista e expressionista, revelando duas faces das personagens em jogo.

Depois da estreia realizamos outras duas temporadas, uma no Teatro Sesc-Senac Pelourinho e outra no Espaço Xisto Bahia. Entretanto, pela estrutura que demandava de produção, uma vez que o espetáculo fora projetado visando a ocupação de um espaço das proporções da Caixa Cultural, “Sagrada Partida”, dos sete espetáculos que compõem o repertório do Finos, foi o que menos tempo durou em cartaz. Apesar disso, essa realização é uma das mais importantes na trajetória do Grupo, pois a partir desse processo criativo, deu-se o início de uma estruturação mais sistemática no âmbito da produção, sendo os membros organizados em Núcleos de Trabalho e a opção pela diminuição do número de intérpretes por espetáculo para possibilitar uma melhor gestão dos outros aspectos da montagem.

 

Foto: Jamille Nogueira

 


Foto: Roberto de Abreu

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