Foto: Jade Prado

 Auto da Gamela (2007)

 

Os primeiros passos em direção à maturidade de sua gestão possibilitaram ao Grupo a administração de dois processos criativos quase que concomitantes. “Sagrada Partida” e “Auto da Gamela”, respectivamente, terceiro e quarto espetáculos do repertório, estreiam no mesmo ano, sendo ‘Partida’ em março e ‘Gamela’ em Junho de 2007. Dois espetáculos com estéticas completamente distintas, produzidos e geridos pelo mesmo coletivo e tendo à frente o mesmo encenador.

Particularmente, os anos de 2006 e 2007 foram períodos de intensa produtividade e inspiração criativa para o grupo, mesmo tendo os seus integrantes que se dividirem entre as demandas das vidas pessoais e trabalhos fora do coletivo, uma vez que o Finos disputava o status de prioridade, inclusive, com a formação acadêmica.

A montagem de “Auto da Gamela” marca um período de encontros felizes para o Finos. Primeiramente, com um texto pré-existente – a obra de Esechias Araújo Lima e Carlos Jehovah, poetas e dramaturgos conquistenses, além de grandes entusiastas do trabalho do Grupo; em segundo lugar, com o recurso da metalinguagem, procedimento dramatúrgico já suscitado embrionariamente em “Sagrada Folia” e que será amplamente explorado nos trabalhos ulteriores; em terceiro, com a linguagem do teatro musical; e por último, a entrada de mais um integrante: Frank Magalhães.

O texto Auto da Gamela é uma obra de referência da literatura de Vitória da Conquista, lançada na década de 80 pela editora José Olympio e que recebeu comentários elogiosos de escritores como Jorge Amado e Rachel de Queiroz, esta última, inclusive, prefacia o livro. Não se trata de um texto dramatúrgico, apesar de seu lirismo e poesia conservarem características profundamente cênicas. O ‘Auto’ já fora montado em diversos outros estados brasileiros, e Esechias Araújo Lima, em razão de um evento relacionado à uma Cooperativa de Crédito lançou ao Grupo o desafio de realizar a primeira montagem baiana. 

Na adaptação da Finos Trapos, uma trupe de saltimbancos do nordeste desembarca de sua carroça num vilarejo sertanejo, onde irão representar seu número dramático. Decidem por representar ali, um de seus dramas de repertório: AUTO DA GAMELA, um número dramático que narra a história do menino Francisco, o cristozinho sertanejo. 

Espetáculo vencedor do Prêmio Myriam Muniz de Teatro em 2006, estreou no mês de junho de 2007 no Teatro Vila Velha em Salvador. Depois disso realizou diversas temporadas na capital e no interior da Bahia participando de Festivais, encontros e temporadas independentes.

“Auto da Gamela” proporcionou uma consolidação dos pilares estéticos que o Finos passou a explorar como matriz de criação. Em crítica elogiosa ao trabalho do Grupo o Prof. José Antonio Saja, filósofo e acadêmico de reconhecida atuação no cenário teatral baiano, analisa essa escolha poética e estética afirmando que:

O ‘Auto’ é o espetáculo mais bem sucedido na trajetória do Finos até então, tanto no que diz respeito ao sucesso de público quanto da crítica especializada, sendo, inclusive, indicado a seis categorias do Prêmio Braskem de Teatro 2007 – melhor espetáculo, melhor direção (Roberto de Abreu), melhor ator (Francisco André), Categoria Especial/ Trilha Sonora e Melhor Espetáculo do Júri Popular – ,a premiação mais importante do cenário teatral baiano, no qual Roberto de Abreu levou a estatueta de melhor diretor.

 

Foto: Jade Prado

 

Foto: Aroldo Fernandes

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