Foto: Jade Prado

 

Gennesius – Histriônica Epopéia de Um Martírio em Flor (2009)

 

Se o trabalho anterior consolidou-se em prestígio do trabalho do Grupo no que tange ao público e a crítica, o processo criativo de “Gennesius...” resultou para o Finos Trapos em um rico momento de reflexão sobre a prática artística que desenvolvia, na sistematização de procedimentos metodológicos bem como o seu reconhecimento junto ao meio acadêmico. O espetáculo foi fruto de dois anos e meio de processo de pesquisa e sistematização tendo como rum dos resultados a Dissertação de Mestrado de Roberto de Abreu, também encenador da obra.

No processo, exploramos rigorosamente os procedimentos da metalinguagem e do elemento biográfico como material para a criação. Foram acrescentadas a essas linhas de força a linguagem do melodrama e diferentes disposições do espaço de encenação. A montagem de “Gennesius...” coincide com o período de residência do Grupo no Espaço Xisto Bahia, em razão da execução do Projeto selecionado no Edital de Ocupação de Espaços Culturais da Fundação Cultural do Estado.

 “Gennesius...” estreou em 2009, no Espaço Xisto Bahia, através do Prêmio Myrian Muniz de Teatro, FUNARTE, Ministério da Cultura, Governo Federal.  De lá pra cá já entrou em temporadas na capital e no interior da Bahia, bem como participou do Festival Latino Americano de Teatro (FILTE).  Com “Gennesius...”, foi indicado nas categorias Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora Original ao “Prêmio Braskem de Teatro” (2009).  

​O personagem título da peça em três atos é um anti-herói, um artista nordestino do interior da Bahia que, ao longo dos caminhos e descaminhos de sua vida, acumula experiências de candor e de maravilha. Um mito tratado como uma lenda musical, que lança olhar sobre Genésio em suas dimensões sensíveis como artista e homem de teatro. A dramaturgia do espetáculo, talvez a mais madura produzida pelo Finos até então, explora questões endêmicas do fazer teatral dos artistas dos contextos culturais regionais, como a migração e a desilusão com a realidade encontrada nos grandes centros, a “Meca”, a cidade idealizada dos artistas.

“Gennesius...” também é importante por ser o espaço de investigação da denominada dramaturgia da sala de ensaio, sistematizada por Roberto de Abreu com base nas práticas artísticas desenvolvidas pelo Grupo sob sua batuta de encenador. O espetáculo também é a sua última realização cênica no Finos Trapos, em razão do seu afastamento para estar a frente dos Cursos de Licenciatura em Teatro e Dança da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e, posteriormente, pelo seu trágico falecimento.

 

 

Foto: Leonardo Pastor

 

 

Foto: Jade Prado

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